Ciclo da Violência Doméstica

Infelizmente a violência doméstica está presente em muitas casas e, com isso, mulheres de todas as idades, raças, cores e classes sociais enfrentam essa dor, muitas vezes sem saber identificar ou sem conseguir impedir.

Primeiramente cumpre destacar que a culpa em casos de violência contra a mulher em âmbito doméstico não é da vítima, independente do que ela tenha feito ou falado. Só existe um culpado, o agressor.[1]

A Psicóloga e pesquisadora Lenore Walker, trabalhando com mulheres em situação de violência doméstica, identificou que as agressões cometidas em um contexto conjugal ocorrem dentro de um ciclo repetitivo, que estudaremos a seguir.[2]

A primeira fase do ciclo é chamada de AUMENTO DA TENSÃO, onde o agressor se mostra irritado com facilidade e por coisas insignificantes, fazendo com que a mulher sinta angústia, medo e receio de falar ou expor sua opinião. Aqui, na maioria das vezes, a mulher ainda não identificou que está vivenciado uma violência doméstica e tende a colocar desculpas para os acessos de raiva do agressor em coisas externas, como por exemplo: “hoje ele bebeu”; “hoje não deve ter sido um bom dia no trabalho”. Este ciclo por durar por dias, meses ou anos e com o aumento, chega à fase dois.

A segunda fase, chamada de ATOS DE VIOLÊNCIA é identificada como àquela em que ocorre a explosão do agressor, onde toda a tensão acumulada se materializa e sua falta de controle aos acessos de raiva faz com que cometa os diversos tipos de violência doméstica, quais sejam, física, psicológica, moral, patrimonial e até mesmo a sexual.

As mulheres na fase dois já possuem a consciência de que vivenciam um relacionamento abusivo e violento, no entanto, possuem grande vulnerabilidade e dependência emocional do companheiro e muitas vezes, dependência financeira, o que dificulta o rompimento do ciclo. Aqui as vítimas sentem medo, raiva, insônia, vergonha, confusão, solidão, e tendem a se afastar do agressor.

Após as fases e um e dois, vem a terceira fase chamada LUA DE MEL, conhecida assim pelo comportamento amoroso e arrependido do agressor, que age desta maneira para reatar o relacionamento após o afastamento da vítima. Mesmo tendo vivenciado as fases de tensão e atos de violência, a mulher acredita na reconciliação, principalmente pela vergonha e vontade de permanecer em um casamento, sobretudo quando há filhos. Há um período relativamente calmo, em que o agressor pode diminuir o consumo de álcool e drogas ou frequentar centros religiosos, a fim de comprovar a mudança de comportamento. Um misto de medo, confusão, culpa e ilusão fazem parte dos sentimentos da mulher.  Por fim, a tensão volta e, com ela, as agressões da Fase 1 e todos os sentimentos negativos aumentam.

Todas as mulheres, independente de raça, cor, religião, estudo ou classe social podem passar por estas situações e é necessário identificar e romper o ciclo. Para isto, a mulher não deve se calar desde o  primeiro sinal de abuso e agressão, seja em forma de ameaça ou tapa.

Caso saiba de alguma mulher que esteja vivenciando um relacionamento abusivo ou um ciclo de violência domestica, ajude-a sem julgamentos, realizando as denúncias e protegendo para que os atos de violência não gerem um feminicídio.

Caso necessário, contrate um advogado de sua confiança para auxiliar e ser voz neste momento difícil.

 

 



[1] BRASIL. Lei n. 11.340, de 7 de agosto de 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm. Acesso em: 27 jul. 2018.

[2] https://www.institutomariadapenha.org.br/violencia-domestica/ciclo-da-violencia.html

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